Na primeira parte da análise, o foco foi nos goleiros. Agora, a ideia é olhar para o sistema defensivo da Seleção Brasileira, começando por aquele que talvez seja o setor mais contraditório do elenco atual. Porque enquanto as laterais vivem um cenário de enorme indefinição, a zaga brasileira talvez nunca tenha chegado tão forte fisicamente e tão preparada para o futebol europeu moderno. E os números mostram isso de forma muito clara.

Se por um lado o Brasil já não produz laterais dominantes como em outras gerações, por outro os zagueiros brasileiros seguem entre os mais valorizados e competitivos do mundo. Não por acaso, os dois titulares dessa análise chegam à Copa disputando final de Champions League como protagonistas dos seus clubes.

Assim como no estudo dos goleiros, o modelo considerou:

  • 70% dos últimos 6 meses;
  • 30% dos últimos 12 meses.

Além disso, o cálculo também levou em consideração:

  • força da liga;
  • contexto competitivo;
  • desempenho continental;
  • regularidade;
  • intensidade física;
  • impacto defensivo;
  • participação ofensiva.

Para laterais e zagueiros, o modelo utilizou a seguinte fórmula:

Nota = 35%D + 20%L + 10%C + 20%M + 15%I

Onde:

D = desempenho individual;
L = força da liga/clube;
C = competições continentais;
M = consistência/minutagem;
I = impacto decisivo.

A partir disso, o ranking começou a tomar forma.


Laterais Convocados

1. Wesley (Roma) — NOTA 9,21

Pelo lado direito, a ascensão do Wesley talvez seja uma das histórias mais interessantes de toda a análise. Há pouco tempo ele ainda era tratado como uma promessa no futebol brasileiro. Hoje, pelos números, já aparece como o lateral-direito brasileiro mais completo em atividade.

Foram:

  • 67 jogos;
  • 7 gols;
  • 5 assistências;
  • mais de 5.400 minutos.

Mas o principal fator não está apenas nos números ofensivos. O que realmente elevou sua nota foi o encaixe no futebol moderno. Wesley entrega intensidade, profundidade, recuperação física, agressividade ofensiva e capacidade de sustentar o corredor inteiro. Além disso, a adaptação rápida ao futebol italiano elevou muito sua nota competitiva.

Racional do cálculo + metodologia

9.21 = (0.35×9.5) + (0.20×9.3) + (0.10×8.8) + (0.20×9.4) + (0.15×8.5)

2. Vanderson — NOTA 9,03

Ainda pela direita, Vanderson talvez seja hoje o lateral brasileiro mais equilibrado defensivamente. No Monaco, mantém alto nível em Ligue 1 e Champions League, enfrentando contexto competitivo muito forte semanalmente. Perdeu a titularidade apenas pela menor produção ofensiva em relação ao Wesley, mas continua aparecendo muito forte em intensidade, recomposição, regularidade ecapacidade defensiva.

Racional do Cálculo + metodologia

9.03 = (0.35×8.9) + (0.20×9.2) + (0.10×8.9) + (0.20×9.3) + (0.15×8.7)

3. Carlos Augusto (Inter de Milão) — NOTA 9,18

Carlos Augusto talvez seja hoje o lateral-esquerdo brasileiro mais completo e muito disso passa pela versatilidade.

Na Inter de Milão, atua como lateral, ala e até como zagueiro pela esquerda. E em torneios curtos como Copa do Mundo, isso pesa muito.

Além disso:

  • disputa Champions League;
  • atua em altíssimo nível físico;
  • mantém enorme regularidade.

Dentro do modelo, acabou se tornando praticamente consenso.

Racional do cálculo + metodologia

9.18 = (0.35×9.1) + (0.20×9.8) + (0.10×9.4) + (0.20×8.8) + (0.15×8.9)

4. Caio Henrique (Monaco) — NOTA 8,94

Caio Henrique entrou muito forte pela qualidade técnica. O modelo valorizou bastante:

  • cruzamento;
  • passe progressivo;
  • construção ofensiva;
  • criatividade.

Perde pontos defensivos em relação ao Carlos Augusto, mas continua sendo uma opção extremamente interessante para jogos de maior controle de posse.

Racional do cálculo + metodologia

8.94 = (0.35×9.0) + (0.20×9.1) + (0.10×8.8) + (0.20×9.1) + (0.15×8.3)


Laterais Fora da Lista

Danilo (Flamengo)

Talvez seja um dos casos mais interessantes do estudo porque o peso histórico dele ainda é enorme. Taticamente continua sendo um jogador extremamente inteligente e versátil. O problema é que o modelo priorizou intensidade física e sustentação no corredor dentro do sistema do Ancelotti. E nesse cenário, Danilo perdeu pontos importantes em:

  • explosão;
  • recuperação física;
  • profundidade ofensiva;
  • volume de ações em alta intensidade.

Acabou ultrapassado por laterais mais físicos e agressivos.

Alex Sandro (Flamengo)

Alex Sandro talvez seja um dos nomes que mais perderam espaço nos últimos anos justamente pela mudança do futebol em nível físico e intensidade.

Taticamente, continua sendo um lateral extremamente experiente e confiável. A capacidade de leitura defensiva e posicionamento ainda são pontos fortes importantes. O problema é que o modelo priorizou jogadores capazes de sustentar alta intensidade durante os 90 minutos dentro do 4-2-4 do Ancelotti.

E nesse cenário, Alex Sandro perdeu pontos importantes em:

  • recuperação física;
  • explosão;
  • profundidade ofensiva;
  • volume de ações em alta intensidade;
  • impacto ofensivo recente.

Yan Couto (Borussia Dortumund)

Perdeu muitos pontos em minutagem e sequência. Apesar do contexto competitivo forte, teve menos regularidade que Wesley e Vanderson ao longo do período analisado.

Douglas Santos (Zenit)

Douglas Santos continua sendo um lateral extremamente regular e tecnicamente confiável. O problema foi quase totalmente contextual.

Atuar no futebol russo reduziu bastante sua nota em:

  • força da liga;
  • competições continentais;
  • nível médio dos adversários.

Luciano Juba (Bahia)

Luciano Juba talvez tenha sido um dos laterais ofensivamente mais interessantes da análise. Os números ofensivos chamam atenção:

  • participação em gols;
  • criação;
  • cruzamentos;
  • volume ofensivo.

O problema apareceu principalmente no lado defensivo. O modelo penalizou:

  • posicionamento sem bola;
  • intensidade defensiva;
  • recuperação;
  • impacto físico em jogos de maior nível competitivo.

Hoje, Juba aparece muito mais como um ala ofensivo do que como um lateral completo dentro do sistema do Ancelotti.


Zagueiros Convocados

Se as laterais aparecem como o setor mais problemático da Seleção, a zaga talvez seja justamente o oposto. Os números mostram que o Brasil continua produzindo defensores extremamente preparados para o futebol europeu moderno:

  • físicos;
  • rápidos;
  • agressivos;
  • confortáveis em linha alta.

E existe um detalhe simbólico importante: os dois titulares da análise chegam à Copa disputando final de Champions League como protagonistas dos seus clubes.

1. Gabriel Magalhães (Arsenal) — NOTA 9,54

Gabriel Magalhães terminou como o zagueiro brasileiro mais bem avaliado de toda a análise. E isso vai muito além dos números defensivos. Foram:

  • 91 jogos;
  • 9 gols;
  • 8 assistências;
  • mais de 7.600 minutos.

Mas o que realmente elevou sua nota foi a evolução técnica dos últimos anos. Hoje, Gabriel virou um defensor dominante:

  • no jogo aéreo;
  • na imposição física;
  • na saída de bola;
  • na liderança defensiva.

Ser protagonista de um Arsenal semifinalista de Champions League pesou muito dentro do modelo.

Racional do cálculo + metodologia

9.54=(0.35×9.7)+(0.20×9.8)+(0.10×9.5)+(0.20×9.4)+(0.15×9.1)

2. Marquinhos (PSG) — NOTA 9,47

Marquinhos talvez seja hoje o defensor brasileiro mais confiável no longo prazo. Há anos atua em elite europeia mantendo regularidade absurda, disputando Champions League e sendo referência técnica do PSG.

Além dos números, o modelo valorizou muito:

  • liderança;
  • experiência;
  • leitura tática;
  • capacidade de atuar sob pressão.

Mesmo aos 32 anos, continua sustentando altíssimo nível competitivo.

Racional do cálculo + metodologia

9.47= (0.35×9.4) + (0.20×9.8) + (0.10×9.6) + (0.20×9.3) + (0.15×9.4)

3. Bremer (Juventus) — NOTA 8,96

Bremer continua sendo um dos zagueiros mais físicos do futebol europeu. Na Juventus, mantém nível altíssimo em:

  • duelo individual;
  • imposição física;
  • agressividade defensiva.

Perdeu pontos apenas pela menor minutagem em relação aos titulares.

Racional do cálculo + metodologia

8.96 = (0.35×9.1) + (0.20×9.2) + (0.10×8.7) + (0.20×8.8) + (0.15×8.9)

4. Murillo (Nottingham Forest) — NOTA 8,91

Murillo talvez tenha sido uma das maiores ascensões recentes entre os zagueiros brasileiros. A adaptação imediata à Premier League elevou muito sua nota competitiva, principalmente pela intensidade física exigida no futebol inglês. Além disso, mostrou:

  • velocidade;
  • segurança em construção;
  • consistência;
  • capacidade física.

Racional do cálculo + metodologia

8.91 = (0.35×9.0) + (0.20×9.4) + (0.10×8.1) + (0.20×9.0) + (0.15×8.3)

5. Léo Pereira (Flamengo) — NOTA 8,78

Léo Pereira terminou como o zagueiro brasileiro mais consistente atuando no Brasil. A menor força competitiva do futebol brasileiro reduziu parte da nota, mas a regularidade compensou bastante.

Foi um dos defensores com maior estabilidade no período analisado.

Racional do cáculo + metodologia

8.78= (0.35×8.8) + (0.20×8.3) + (0.10×8.6) + (0.20×9.2) + (0.15×8.4)


Zagueiros Fora da Lista

Roger Ibañez (Al-Ahli)

Individualmente, os números de Roger Ibañez são excelentes. O problema foi o contexto competitivo.

A liga saudita reduziu bastante sua nota em:

  • força da liga;
  • qualidade média dos adversários;
  • peso continental.

Ficou muito próximo da convocação, mas acabou ultrapassado pelos zagueiros que atuam em ligas mais fortes.


Ranking final dos defensores brasileiros

Laterais-direitos

  1. Wesley — 9,21
  2. Vanderson — 9,03

Laterais-esquerdos

  1. Carlos Augusto — 9,18
  2. Caio Henrique — 8,94

Zagueiros

  1. Gabriel Magalhães — 9,54
  2. Marquinhos — 9,47
  3. Bremer — 8,96
  4. Murillo — 8,91
  5. Léo Pereira — 8,78

Conclusão

Talvez nenhum setor represente tão bem o momento atual da Seleção Brasileira quanto o sistema defensivo. As laterais mostram um Brasil que já não produz jogadores dominantes como em outras gerações. Existe talento, mas falta um nome realmente incontestável. Ao mesmo tempo, a zaga brasileira talvez nunca tenha estado tão adaptada ao futebol europeu moderno.

Os números mostram defensores:

  • físicos;
  • rápidos;
  • agressivos;
  • preparados para atuar em linha alta;
  • acostumados a jogos grandes.

E talvez isso explique por que Gabriel Magalhães e Marquinhos chegaram tão fortes ao topo da análise.

Hoje, a defesa brasileira parece muito menos técnica do que em gerações passadas. Mas talvez esteja mais preparada para competir no futebol moderno do que muita gente imagina.